Já se encontram à disposição dos leitores – na Biblioteca e na sala 11 – os dois novos livros do Prof. Dr. Jean Lauand: “Expressões populares brasileiras: significado e datação – vols. 2 e 3”, publicados pela Editora Cemoroc da USP.
Trata-se de um passo mais em um trabalho desenvolvido já há dez anos pelo autor. Em 2016, Lauand – Prof. Titular Sênior da Feusp, membro do Corpo de Redatores do Grande Dicionário Houaiss, Acadêmico Correspondente da Real Academia de Letras de Barcelona e Professor Colaborador do Colégio Luterano São Paulo – deu início a um fecundo trabalho acadêmico revolucionário: a pesquisa sobre o significado de expressões brasileiras populares, acompanhado da datação em cada caso, a partir de seu surgimento na imprensa nacional, valendo-se da poderosa ferramenta de investigação que é a Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional. A Hemeroteca permite a pesquisa de ocorrência de palavras e expressões em cerca de 10000 jornais e revistas, desde 1809 até os dias de hoje.
Munido desse instrumento, JL publicou 30 artigos em forma de dicionário, com centenas de verbetes, muitos deles recolhidos em sete livros, que perfazem mais de mil páginas, dentre os quais se destacam: “Pequeno dicionário de expressões brasileiras. São Paulo: Enguaguassu, 2023” e “Pequeno dicionário filosófico e sociológico de expressões brasileiras. São Paulo: Enguaguaçu, 2023.”
Suas obras receberam a distinção de serem incluídas pelo Instituto Houaiss nas “Fontes de Datação e Etimologias do Grande Dicionário Houaiss”, sabidamente o mais erudito e acadêmico do mundo lusófono.
Lauand, desde sempre, é conhecido como exímio etimologista: dele são, por exemplo, as internacionalmente famosas considerações sobre as formas de gratidão das diversas línguas e o nosso “Obrigado”.
Os dois recentes volumes oferecem ao leitor novas coletâneas de verbetes selecionados. A título de amostra, apresentamos aqui um resumo de como surgiu no Brasil a expressão “vira-lata” (e “gari” para o coletor de lixo):
A expressão “vira-lata” apareceu pela primeira vez na imprensa em 19 de junho de 1927, no Jornal do Brasil, para designar cães de rua sem pedigree que reviravam latas de lixo em busca de comida. O termo está ligado ao surgimento das latas de lixo na vida urbana, introduzidas no final do século XIX, quando as cidades começaram a organizar a coleta pública de resíduos.
Em 1876, o Rio de Janeiro contratou a empresa do francês Aleixo Gary para esse serviço, e os trabalhadores passaram a ser chamados de “garis”. Já em 1895, a imprensa registrava a novidade das “latas de lixo” e mencionava os cães que as reviravam, contexto que deu origem às expressões que permanecem até hoje.
As obras também podem ser lidas gratuitamente on-line em: https://cemoroc.fe.usp.br/DicionoNovo3.pdf e https://cemoroc.fe.usp.br/DicionoNovo4.pdf
